ESTUDOS
ELETROFISIOLÓGICO E ABLAÇÃO POR CATETER
O Estudo Eletrofisiológico e a Ablação
com Radiofreqüência são procedimentos realizados
rotineiramente desde 1999 em nosso serviço, através
da introdução de cateteres (fios flexíveis
especiais) em locais específicos do coração.
Entretanto, antes de falarmos sobre cada um desses procedimentos,
é preciso explicar o que é o sistema elétrico
do coração e como ele funciona.
Para que o coração faça o trabalho de bombear
o sangue através do corpo existem quatro cavidades: as
duas superiores chamadas átrios e as duas inferiores
chamadas ventrículos.
O coração necessita de uma espécie de estímulo
para começar o batimento cardíaco. Este estímulo
é um verdadeiro impulso elétrico, que se origina
numa área do coração chamada nó
sinusal, que é o marcapasso natural do coração.
Este funciona como um gerador de energia elétrica, que
faz o coração bater entre 60 e 100 vezes por minuto
em condições normais de repouso.
Este estímulo elétrico se propaga pelo sistema
de condução, atravessando estruturas como o nó
atrioventricular e o feixe de His e se espalhando pelos ventrículos
direito e esquerdo, provocando a contração do
coração.
Em algumas situações, este sistema elétrico
encontra-se alterado e causa “curtos-circuitos”,
que podem resultar em taquicardias ou batimentos rápidos
(palpitações, “batedeira”), acompanhados
de desmaios (síncopes), tonturas (pré-sincopes),
cansaço, respiração curta, dor ou pressão
no peito. Em outras, apresenta alteração do sistema,
que resulta em batimentos lentos (bradicardias), acompanhados
também de desmaios, tonturas e/ ou cansaço.
TIPOS DE TAQUICARDIAS
1) Taquicardias Supraventriculares - São
ritmos rápidos, originados na porção superior
do coração, geralmente com mais de 120 batimentos
por minuto, conhecidos como: Fibrilação Atrial,
Flutter Atrial, Taquicardias Atriais, Taquicardias Nodais, Taquicardias
Atrioventriculares por vias anômalas (Síndrome
de Wolff-Parkinson-White).
2) Taquicardias Ventriculares – Também são
ritmos rápidos, que se originam nos ventrículos
e geralmente são mais perigosas que as taquicardias supraventriculares.
TIPOS DE BRADICARDIAS
1) Disfunção do Nó Sinusal
que acomete o marcapasso principal do coração
levando à diminuição do número de
estímulos ou mesmo à falta de ritmo cardíaco.
2) Bloqueio Atrioventricular – Trata-se de um distúrbio
parcial ou total de condução atrioventricular,
que leva à interrupção do estímulo
elétrico, resultando na diminuição dos
batimentos cardíacos e, às vezes, na necessidade
do implante de Marcapasso Definitivo.
ESTUDO ELETROFISIOLÓGICO
O Estudo Eletrofisiológico é um
cateterismo cardíaco que utiliza cateteres especiais
para descobrir e estudar os defeitos no sistema elétrico
do coração
INDICAÇÃO
É um método diagnóstico
que tem entre várias finalidades:
1) Investigar as causas de síncopes (desmaios),
pré-síncopes (tontura) e palpitações
(“batedeira”), em casos selecionados.
2) Esclarecer o mecanismo e a origem das arritmias.
3) Avaliar a eficácia de medicamentos antiarrítmicos.
4) Avaliar o funcionamento do cardioversor-desfibrilador implantável,
semelhante ao aparelho de marcapasso.
ABLAÇÃO COM RADIOFREQÜÊNCIA
É um método utilizado para o tratamento
das taquicardias. Trata-se de uma cauterização
feita com energia de radiofreqüência aplicada com
cateteres especiais nos focos das arritmias, localizados pelo
estudo eletrofisiológico.
INDICAÇÃO
A indicação é sempre discutida
com seu médico. Geralmente é um procedimento que
se aplica a pacientes que apresentam um tipo de taquicardia
passível de cura ou para aqueles que têm taquicardias
difíceis de serem tratadas com drogas antiarrítimicas.
MEDICAÇÃO
Alguns remédios deverão ser suspensos
pelo prazo que varia de 2 a 21 dias, antes do procedimento.
O médico fornece ao paciente esclarecimentos e informações
a respeito.
Se o paciente ficar muito ansioso na véspera do exame,
poderá tomar um tranqüilizante (calmante) receitado
pelo médico.
PREPARO PARA O EXAME
1) No hospital, será feita a depilação
na região das virilhas direita e esquerda e na região
torácica, à altura do peito.
2) Será administrado um antibiótico por via endovenosa
para evitar infecção, e uma medicação
pré-anestésica por via oral para tranqüilizar
o paciente, antes dele ser encaminhado à sala de exames.
ROUPAS E PERTENCES
Antes de ir para a sala de exames deve-se:
1) Retirar a prótese dentária
(dentadura), remover batom, esmalte das unhas, jóias
ou bijuterias e entregá-los ao acompanhante ou enfermeira
(o) encarregada (o) do setor.
2) Vestir a roupa (avental cirúrgico) oferecida pela
enfermagem da unidade de internação.
COMO É FEITO?
1) O estudo eletrofisiológico e a ablação
poderão ser feitos no mesmo dia da internação
ou no dia seguinte. O paciente será orientado e preparado
pela (o) enfermeira (o) da unidade, onde ficará internado,
e pelos médicos, que esclarecerão todas as suas
dúvidas.
2) No dia do exame, será encaminhado em cadeira ou maca
para a sala de eletrofisiologia, onde serão realizados
os procedimentos.
3) Chegando à sala de exame, é recebido pelas
equipes médica e de enfermagem, que irão prepará-lo.
É o momento de conectá-lo a vários monitores
(monitor de eletrocardiograma, aparelhos de pressão arterial,
freqüência cardíaca e respiratória).
4) São administrados soro e medicamentos necessários,
através de uma veia do braço.
5) A enfermagem faz limpeza da pele, utilizando solução
anti-séptica na região das virilhas direita e
esquerda e na região torácica.
6) O médico faz a anestesia local na região da
virilha e, ocasionalmente, no lado direito do pescoço.
Nesses locais, são introduzidos cateteres na veia e/ou
na artéria, que serão levados até as cavidades
direita e/ou esquerda do coração, guiados por
imagem radiológica (Raio X).
7) Estes cateteres captam os sinais gerados pela atividade elétrica
do coração, que são registrados em aparelhos
especiais
8) Através deles se faz a ablação com radiofreqüência
nos locais selecionados.Não há motivo para preocupação,
pois a equipe é treinada para isso.
TEMPO DE DURAÇÃO
O Estudo Eletrofisiológico dura em torno de uma hora
e, quando seguido de ablação, a duração
é variável, girando em torno de três horas.
Ao término do procedimento, é feita compressão
no local da punção por 5 a 20 minutos. A seguir,
o paciente é encaminhado para o quarto.
GRAU DE RISCO
O Estudo Eletrofisiológico e a Ablação
com Radiofreqüência são considerados métodos
seguros, mas, como todo procedimento invasivo, eventualmente
podem ocorrer complicações como:
1) Hematoma (mancha roxa na pele) - Pode aparecer
no local, onde foi feita a punção. Quando os cateteres
são retirados, é feita uma pressão para
parar de sangrar. Para diminuir a chance de sangramento, o paciente
deve permanecer em repouso algumas horas após o procedimento.
Raramente a introdução dos cateteres causa sangramento
interno.
2) Trombose (coágulo de sangue) – Quando os introdutores
são retirados, é feita uma pressão no local
para formação de um pequeno coágulo de
sangue, que ajuda a parar o sangramento. Este é um coágulo
bom, mas outros poderiam se formar em outros locais que, ao
se desprenderem, podem provocar o entupimento de algum vaso
sangüíneo.
3) Raramente ocorre infecção no local da punção.
4) Em casos raros, a via anormal pode estar muito próxima
do sistema normal de condução. Lesão acidental
desta via pode requerer o implante de um marcapasso. O médico,
certamente, discutirá com o paciente estes riscos. Em
casos de dúvidas, ele não deve hesitar em falar
com seu médico, que fornecerá todas as explicações
necessárias.
5) Rupturas Cardíacas – Em situação
extremamente raras, pode ocorrer a ruptura de uma parede do
coração, que eventualmente pode necessitar de
cirurgia cardíaca. Em nosso grupo existe uma equipe de
cirurgia cardíaca para o procedimento, se necessário.
6) Infarto – É improvável. Porém,
se a aplicação de radiofreqüência for
feita próxima de uma artéria coronária
pode causar infarto e o tratamento deve proceder-se para essa
patologia.
7) Pneumotórax (entrada de ar com colabamento dos pulmões)
– Esta situação pode ocorrer, caso a passagem
do cateter seja feita em região subclávia (no
tórax), se for necessário drenagem de tórax.
8) Complicação Fatal – Neste tipo de procedimento
é altamente improvável, pois a possibilidade de
ocorrência é menor que 1%.
CUIDADOS
APÓS O PROCEDIMENTO
1) Será feito um curativo especial no local da punção
(virilha), sem precisar dar pontos.
2) O paciente retornará ao quarto em maca e não
poderá dobrar a perna, onde foi feito o procedimento.
3) Deve permanecer em repouso absoluto com a perna imobilizada
por quatro a seis horas, conforme orientação médica.
4) Deve também informar o médico ou a enfermeira
se estiver com dor, calor ou sangramento.
5) A alimentação será liberada após
sua chegada ao quarto.
6) A pressão sangüínea, o pulso e o local
do curativo serão examinados atentamente pela enfermagem.
7) Esforços excessivos devem ser evitados por um período
de 24 horas.
8) Ao sentir o coração acelerado, não precisa
preocupar-se. Isto poderá ocorrer durante um período
após o procedimento.
9) A enfermeira informará o paciente sobre as ocorrências
e responderá suas eventuais dúvidas.
ALTA
O paciente será orientado pelo médico
ou enfermeira (o) quanto aos cuidados com o local da punção.
Não há necessidade de refazer o curativo. Deve-se
apenas lavá-lo com água e sabão, mantendo-o
sempre seco e limpo.
Somente os remédios receitados por seu médico
devem ser tomados. Em alguns casos, conforme o resultado da
ablação, poderão ser receitados alguns
medicamentos, inclusive antiarrítmicos.
O retorno será marcado dentro de 30 dias após
a alta.
O retorno ao trabalho geralmente ocorre dentro de três
dias a uma semana, mas será confirmado com seu médico.
O paciente receberá um relatório completo, contendo
informações sobre tudo que foi realizado.
RETORNO AO MÉDICO
O paciente deverá entrar em contato com
o médico que o encaminhou para o procedimento logo que
possível, pois este o orientará quanto a rotina
a seguir.